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O Hobbit

Lançamento:   agosto 2012
Editora Devir
Cor

A propósito da recente reedição por parte da Devir da adaptação em banda desenhada de “O Hobbit”, recordo o texto que escrevi no Jornal de Notícias, a propósito da primeira edição portuguesa desta obra, em 2002, intitulado “Adaptações(1)”.


Uma adaptação, para ser conseguida, tem, a meu ver, que cumprir dois requisitos: ser fiel ao original e funcionar de forma autónoma, consistente e credível na nova forma narrativa à qual foi adaptada. Isto porque cada género narrativo – literatura, banda desenhada, cinema de animação, cinema – tem características e regras próprias que importa seguir.
Na maior parte dos casos, as adaptações originam obras inferiores às originais, podendo surgir excepções quando a adaptação, mais do que seguir ao detalhe o seu modelo, se mantém fiel ao seu espírito, mas recria-o totalmente de acordo com as características inerentes à nova forma narrativa adoptada. Foi isto que foi ignorado durante muitos anos, nas transposições da literatura para a banda desenhada (as mais comuns), resultando daí romances (mal) ilustrados, nalguns casos com a transposição integral do texto original sob as ilustrações, numa prática que demonstra claramente ignorância acerca da forma narrativa escolhida.

Toda esta introdução vem a propósito do recente lançamento de “Bilbo, o Hobbit” (Devir) que se baseia na obra homónima de J. R. R. Tolkien, que serve de prelúdio à trilogia “O senhor dos anéis”.

Contando mais de 60 anos, mantém uma frescura invejável, graças à coerência e à riqueza do mundo imaginado por Tolkien, e conta como o pequeno Bilbo é convencido pelo feiticeiro Gandalf a acompanhar um bando de anões na busca de um mítico tesouro, o que o levará a ter de enfrentar um terrível dragão. E mais do que um tesouro, o hobbit que protagoniza a história acaba por se descobrir a si mesmo, após uma busca iniciática em que descobre facetas e capacidades que ignorava possuir.
A adaptação, assinada por Charles Dixon, atinge bons momentos quando se consegue libertar do texto original e funcionar como uma verdadeira banda desenhada. Quando isso não acontece, se a trama ganha em densidade, perde em ritmo narrativo e afasta-se das características próprias de uma BD.
Os desenhos, num estilo realista que combina técnicas clássicas de desenho e aguarela, são de David Wenzel e devem ter servido de referência a Peter Jackson para a recente adaptação cinematográfica de “O senhor dos anéis”, dada a semelhança entre os personagens comuns às duas obras.


Criadores Ver todos

Escritor Chuck Dixon, Sean Deming
Desenhador David Wenzel

Detalhes

Formato Hardcover
Género Adaptação de obra literária
Numero de páginas 138
Língua Português